O mês de junho de 2013 ficará encravado na história das lutas
sociais. Não apenas por ter reunido milhões de pessoas nas ruas de todo o
Brasil, mas também por ter reoxigenado as esperanças da juventude brasileira.
Não à toa, alguns analistas têm comparado o ocorrido ao Maio
de 68. As conjunturas e a correlação de forças são diferentes, mas em muitos
aspectos pode-se aproximar as mobilizações. A ausência de lideranças e de
representatividade dos partidos políticos podem ser um pontos que unem as
datas.
O que pode ser afirmado, e que talvez aproxime ainda mais
maio de junho, é que nada será como antes. Depois de 68 na França, costumes
foram transformados, direitos foram conquistados, e uma série de instituições
perderam sua legitimidade. Esse ano de 2013, aqui no Brasil, também pode ser interpretado
dessa forma.
No âmbito político, os representantes repensarão antes de
aumentar a tarifa de um serviço prestado de forma tão desrespeitosa. No campo
social, as lutas ganham um fôlego nunca experimentado nas últimas duas décadas.
Foram cerca de 20 anos com poucas mobilizações de massa. Após essa data,
intensifica-se um período de contestações, com o horizonte de grandes
transformações à vista.
Não só nos grandes centros urbanos há organização. Também as
periferias se erguem contra o processo de globalização que a exclui de direitos
fundamentais. Os movimentos de moradia repicam em cidades como São Paulo e a
insatisfação já chega às favelas do Rio de janeiro. Até nos confins da Amazônia
o descontentamento se traduz com constantes greves dos trabalhadores das
grandes obras de infraestrutura. Também pela via cultural, com os saraus, a periferia
se organiza em torno de uma demanda que o poder público não satisfaz. A
juventude nunca esteve tão atenta aos acontecimentos políticos e também procura
novas formas de se expressar, como o movimento Fora Feliciano, que explicita
sua necessidade de ser o que se é. O Movimento Passe livre conseguiu aglutinar em
torno da puta dos transportes todo essa revolta com o que está estabelecido.
E a luta de classes só se acirra. A crise do capitalismo já
se expressa na flutuação de fatores econômicos e no esgotamento de um modelo de
desenvolvimento voltado apenas a acumulação. Apenas a reformulação da
democracia, com uma maior participação das pessoas nas decisões que afeta suas
vidas, manterá o funcionamento das atuais instituições.

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