A composição dos meios de comunicação no Brasil é peculiar
se comparada até com as democracias mais frágeis do mundo. Os oligopólios persistem
desde épocas em que a democracia era um sonho. Ela foi conquistada, mas as
informações continuam submetidas a um controle rígido das elites mais
conservadoras do país. Apenas sete famílias mantêm a curtas rédeas o sistema
comunicacional brasileiro.
No entanto, nos últimos anos, tem se fortalecido uma rede de
mídia alternativa e difusão de novas manifestações populares. Não só o
jornalismo se re-estrutura, mas toda a superestrutura sociocultural. A constituição
desse novo espaço é a síntese de um processo que negou a mídia convencional e
está superando a hibridez que se adotou.
Três exemplos dessa nova era são característicos nesse
contexto. No âmbito digital, a Mídia Ninja redefiniu padrões de cobertura de
eventos diversos pela mídia visual. A antiga linha editorial teve que ser
levemente modificada em função da existência dessa nova perspectiva. Com a
transmissão ao vivo, sem a possibilidade de edição, principalmente os
telejornais tiveram que recuar de suas antigas posições unilaterais e admitir a
atuação de novas forças.
Outra criação de destaque para democratizar a disseminação
de informações foi a rede Catraca livre. O site disponibiliza gratuitamente informações
de eventos culturais que ocorrem nos mais variados pontos da cidade de São
Paulo. Além de libertar o leitor da agenda cultural dos grandes veículos, o
site não se referencia pelas tradicionais formas artísticas, mobilizando os
mais amplos setores culturais.
Já o Musicoteca, o site dos novos artistas independentes,
deu o golpe final na indústria fonográfica. A internet já havia redefinido a
relação entre os músicos e a indústria, mas a centralização e sistematização
dessa plataforma potencializam novas formas de se fazer e distribuir
música para
as pessoas.
Essas transformações impactam profundamente a sociedade, e
mudam a organização das pessoas. A utilização da internet é o eixo dessas
mudanças, e para garantir que esse processo não seja cooptado, é imprescindível
que haja regulamentação que possibilite um desenvolvimento igualitário para
todos os que estão implicados nele.
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